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A MAIOR CHEF do MUNDO! Grande legado! Grande exemplo de vida! Grande história!

Escrito Por: Andrea Follador Publicado em: Andrea Data de Criação: 24/01/2018 Comentários: 0

De onde vem o meu dom?  De onde vem essa paixão?

Minha querida avó, quanta saudade! Quanto amor envolvido! Nunca vou esquecer da senhora, nunca vou esquecer da professora Cecília Assunpção Avelar, como eu queria poder conversar com a Sra. hoje, ouvir a Sra. não me lembro muito bem de tudo, mas as lembranças que eu tenho são muito boas.

 

Como eu gostava de ver as suas mágicas, o trigo, os ovos, o açúcar, a nata guardada na geladeira, pra juntar até ter a quantidade exata pra fazer os biscoitos, o milho ralado, não existia rolo, não existia essência, extrato, mas dali saía empadinhas, brevidades, pastéis, biscoitos de nata, biscoitinhos com goiabinha, bolos, pamonhas (que nunca gostei), curau (que eu amo de paixão) quantos banquetes eram servidos através destas mãos e deste rosto singelo, e eu, os poucos momentos que vi, (porque queria mais era brincar com minha prima, paixão da minha vida) a observava, gravei esses poucos momentos de forma perspicaz a ficar intrínseco a mim, lembro da Sra e das tias Teresa, Cecíla e Alice e a minha mãe,  como que comendo com os olhos, e assistindo como quem assiste a um espetáculo e fica encantado com ele! Estarrecido! Perplexo! Era assim que eu via a sua magia da cozinha, era assim que eu a olhava, era assim que eu a via. Com amor, com respeito e admiração!

 

Leitões, uvas, cabritos, porcos, pernis, frangos, carnes assadas, mangas de baldes e ainda, pudins, biscoitinhos, pavês...  ...a geladeira... ...a geladeira não tinha lugar nem para o ar e eu acostumei e fui acostumada viver desta fartura.  Os natais eram verdadeiros grandes eventos a meus olhos infantis, todas as famílias reunidas, quantos filhos, quantos netos!

 

Como cabia todo mundo naquela doce casa?  Não sei.  Não sei. Mas sei que aquele calor insuportável era delicioso, não lembro se tinha ventilador, acho que não, mas lembro das cadeiras de balanço, lembro da história do Toco, que ficou gravada em minha mente e que eu já contei muito pra muitas crianças, inclusive pra minha filha, tão importante que foi pra mim, dormir na sua cama com você e o vovô, era um troféu, lembro de estar no seu colo e do vovô tantas vezes e dos tios e brincando de serra-serra, lembro do tilintar dos copos na cristaleira quando alguém pisava o assoalho adentrando pelos quartos e sala.  Ainda ouço aquele doce som na minha mente com o espelho da alma!  Posso ouvir!  Como uma doce flauta!  

 

A cristaleira!    Ah! A cristaleira! Quanta história tinha aquela cristaleira! 

A varanda!  A varanda! Só de calcinha eu e minha prima deslizávamos de um lado para o outro escorregando em plena e intensa alegria, enlameadas de barro vermelho e então íamos pra nossa Jacuzzi, que ainda não existia, era o tanque da avó, que era imenso!  Imenso?! Ele ainda está lá... e é tão pequeno! Como cabia nós duas?   Como tomávamos banho ali?  Não sei.  Mas sei que era muito bom, nadávamos no rio, e fomos muito felizes!!! Muito felizes!!!  Vivemos uma plenitude da infância que infelizmente minha filha não pôde viver por não ter avós.   

 

Olho esse rosto e me lembro das cartas que recebia, das inúmeras cartinhas tão bem escritas dizendo: “o vovô já plantou milho, as espigas estão lindas e ele vai colher em dezembro pra chegada de vocês, tem manga, tem jaca, uvas, o avê está criando porco, cabrito, os pés de banana estão carregados, tudo preparado pra chegada de vocês”... e essas cartinhas eram dobradas com capricho incomum e enviadas, e se eu soubesse que haveria fim, eu teria guardado cada uma delas.

 

O que mais me lembro e que foi o ápice pra mim, o auge do grito que ecoou dentro de mim e ali, naquele momento nasceu a chef Andrea que ficou latente por décadas.

Eu morava em São Paulo e minha avó foi me visitar, nesta época meu pai estava desempregado e infelizmente passamos um curto período traumatizante e muito difícil com muitas restrições, da geladeira cheia de não ter lugar nem pro ar,  a apenas ar e água gelada.  As feiras de toda semana que eu ia de braço dado a minha mamãe, minha doce mamãe que sempre me dava um pastel de carne e um de queijo e um copo de garapa da feira... 

 

Ah! Me calei agora.  Sentimento profundo.  Fui agora até o jardim satélite.  Será que ainda existe aquela feira de sexta, naquele lugar?

Aquilo era meu deleite! Minha expectativa de uma vida, claro, num momento infantil! Mas de repente por um curto período acabou, mas aquele curto período para nós, não sabíamos quando iria passar, mas a vovó estava lá, e eu estava muito triste, e era dia de feira.

 

Falei pra ela que estava com muita vontade comer pastel de carne e de queijo, e ela como num passe de mágica, atravessou a rua, foi na quitanda da dona Marieta, comprou queijo, a carne moída não me lembro, mas o queijo eu vi e fiquei com meus olhinhos infantis a observar...       ...pegou uma bacia, colocou água, óleo, sal, álcool e trigo, mexeu com as mãos, pegou uma garrafa de tubaína higienizou (naquela época, como já falei, não existia tantos utensílios de cozinha em fácil acesso) e...   Tharammmmmmmm!!!!!!!!

 

Abriu a massa, recheou, cortou com a carretilha de costura da minha mãe, fechou, colocou numa panela óleo, colocou um palito de fósforo na gordura, e o mesmo...  PLOOOOOOWWWW!!!  Acendeu e então era hora de colocar os pastéis, o óleo estava no ponto de fusão para fritura ideal.     Uaaaaaaalllll!!!!   Então aconteceu o passe de mágica!  Lá estavam todos os pastéis! E  eu poderia comer quantos quisesse não só um de carne e um de queijo! Pra mim!  Pra mim. Eu comi, comi muito, mas só um de cada, mas me fartei e ainda sinto os sabores daqueles pastéis em meu paladar, seu aroma, as azeitonas, não tinha cebola em casa neste dia, mas tinha repolho e tomate, e ela fez vinagrete de repolho.  Ah!  Foram um dos melhores da minha vida!  Sem dúvida!...

 

Ainda tomada de um grande misto de avidez, perplexidade e admiração por aquela GRANDE E MAIOR CHEF já existente no mundo inteiro, quis saber mais, muito mais, queria entrar na mente dela e saber tudo o que ela sabia, e pedi pra ela fazer um caderno de receitas pra mim, fomos na papelaria, compramos um caderninho que tenho até hoje e então ela se colocou a escrever, uma a uma, uma por uma, lembro do seu sorriso, das suas lindas unhas muito bem pintadas, do seu grande amor por mim e por todos.  Cada neto! E...  Pasme!  Cada neto era único!  Cada neto se sentia único! E somos muitos! Muitos! E todos tínhamos a sensação de sermos especiais e únicos! Nela existia a magia de toda sabedoria da administração de um lar, de relacionamento, de uma família e ainda trabalhava fora, ministrava aulas... Que grande exemplo!  Que grande mulher!     Foi daí que partiu o meu desejo pela gastronomia, confeitaria e eu fui me descobrir anos depois, mas remeto a ela esse título que tenho hoje.  Minha raiz. Meu amor. Minha gratidão a Deus por ela. Pelo grande privilégio de ter tido ela.

Não vejo a hora de um dia poder abraçá-la de volta vovó e matar toda minha saudade de você! Te amo.

 

Sabe o que eu vou comer hoje?!

Estou indo pra feira.

 

Feliz por lembrar de tudo isso e por escrever.  Obrigada Deus! Tu és minha inspiração, e eu o reconheço nas direções e caminhos da minha vida. 

Muito orgulho! Muita satisfação! Uma honra que Deus me permitiu viver!  Graça!  Minha história!

 

Agradecida Pai.

Em Tudo dai graças!

I Tessalonicenses 5:18

I Tes 5:18

 

 

 

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